domingo, 24 de junho de 2012

A População


A população:

A população vivia praticamente em exclusivo da agricultura, trabalhavam periodicamente nomeadamente na sua própria terra, no seu próprio cultivo. Por consequência das terras pouco cultivaveis, tinham a opção de trabalhar à jornas, nas alturas cíclicas das sementeiras, ceifas, debulhas ou apanha da azeitona.
Os assalariados eram pagos á jorna(ao dia), normalmente com vinho. O trabalho era remunerado, ao fim do dia ou ao fim do serviço, contudo poderia acontecer o trabalhador, andar a trabalhar a mercer, por exemplo: um trabalhador precisava de lenha e não a tinha, ou trigo ou qualquer outro género que a terra podesse produzir, então neste caso o patrão, paga nesse género. Também se usava a troca de trabalho, o indivíduo A ajudava na apanha da azeitona do indivíduo B e o indivíduo B deveria ajudar o indivíduo A noutra cultura, por exemplo na ajuda nas sementeiras.
O sol ditava o horário de trabalho, quanto maiores os dias (verão), mais horas se trabalhava.
Mais uma vez me devo debruçar sobre o trabalho jornaleiro, os trabalhos sazonais permitem a migração. Azeitona, ou vindimas, são o exemplo disso, e o destino eram os campos agrícolas do Ribatejo e Oeste.
Os contratos eram apalavrados, e feitos nas tabernas, não tabernas como as conhecemos hoje em dia, nos finais do Século XIX ínicios do século XX, as tabernas, eram um género de mercearia, onde se comercializava, todo o tipo de cereais, vinho, azeite, vendia-se ainda pão(o padeiro passava nas tabernas e deixava o pão).
Os homens passavam pela taberna de manhã, antes do trabalho e quando vinham do trabalho. Era zona de convívio masculino, as mulheres normalmente, ficavam à janela ou no adro da igreja com as crianças, dançavam e rifavam laranjas.
Nas tabernas daquele tempo, facilmente se encontravam homens a jogar à bisca de seis ou a cantar. “Os homens juntavam-se, cantavam, jogavam à quintilha, bebia quem jogava e quem não jogava, o taberneiro vendia um copo à janela, jogavam uma partida em pé, 3 de dentro e 3 de fora, os pés ficavam frios, depois havia porrada por causa da bebedeira”; “Na bisca de seis um manda o jogo e passavam sinais disfarçados, ao Domingo á tarde, para se distrairem, ião à procura de patrão, iam á missa à Giesteira, a Boleiros ou à Fátima à procura de jorna”; “Fumava-se cigarros feitos por nós, era o tabaco Duque, vinha em onsas e era guardado em lenços tabaqueiros”(Dizia o Senhor Francisco do Amoreira, em 1980, num resgate de informação feito pelo rancho folclórico da Casa do Povo de Fátima).
Por a terra ser tão pobre e de forma a complementar o rendimento familiar, havia famílias que optavam pela montagem de um tera no domicílio, num anexo junto da cozinha, quando esta era pequena. Teciam mantas ou tapetes de trapos ou até, com fio de lã, os mesmos objectos.
Existiam também, sapateiros, pedreiros ou carpinteiros, estes deslocavam-se a casa do cliente. O carpiteiro era polifacetado, podia montar uma porta ou uma janela, um telhado de uma casa, um soalho ou podia ainda construir pipas de vinho, um bom carpinteiro podia fazer mesmo um carro de bois ou uma carroça, as engrenagens para um moinho (mastro, entrosas, carretos, velas) ou a construçaõ de um tear de madeira.
Encontamos ainda serradores, ferradores, o barbeiro ou pessoas dedicadas ao fabrico de cal.

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