domingo, 24 de junho de 2012

Os trajes


Os trajes:

Traje de casamento  (mais abastado)

Ele: jaqueta com alamares, colete e calça á boca de sino, confeccionados de uma lã preta. Camisa branca com peitinho, com ou sem gravata preta e chapeu  de aba larga na cabeça. A calça era presa na cintura por uma cinta de lã. Sapato de cabedal com tacão de prateleira, e orelha virada para o exterior distendo-se sobre o peito do pé. O sapato era, na maioria dos casos, tingida pela ferrugem da chaminé. Suspenso no braço, um guarda chuva característico da época, ao qual recorriam para se proteger da chuva ou do calor.

Ela: saia e blusa de armur ou lâ cor verde. Na cabeça um lenço branco bordado à mão completamente solto. Meias brancas de renda e sapato de cabedal tingido de preto pela ferrugem da chaminé. Este era preso  por uma correia que cobria o peito do pé, partindo do lado de dentro para fora do mesmo. No pulso do braço direito uma pequena saca onde guardava o dinheiro ou as jóias.

Traje de casamento (menos abastado)

Ele: jaqueta com alamares, colete e calça à boca de sino, confeccionados de uma lã preta. Camisa branca com peitilho. Na cabeça usava barrete preto cuja ponta era virada para trás. A calça era presa na cintura preta de lã. Sapato de cabedal. No braço levava  suspenso um guarda chuva característico da época, que protegia o casal da chuva e do calor.
Ela: saia e blusa normalmente da mesma cor (preto, verde azul, castanho, cinzento, amarelo ou cor de grão), confeccionados de armur ou de lã. Na cabeça um lenço chinês completamente solto e dobrado e, triângulo. Meia branca e sapato de cabedal.





Traje de Domingo:
Ele: jaqueta com alamares e calças á boca de sino (neste caso cor cinzenta). Barrete preto na cabeça. Camisa branca com peitilho e bota de cabedal.
Ela: blusa de seda (neste caso cor de laranja embora o branco fosse bastante usado). Saia preta de merino, sapato preto e meia branca de renda, na cabeça um lenço chinês e, sobre este, um chapelinho redondo sobre o qual vão assentar as pontas do referido lenço. A saia era protegida por um avental branco rendilhado.

Este traje poderia ser utilizado também para ir á feira, com adereço a mais, uma ceira que se encontra na primeira imagem.

 














Traje semaneiro:
Ele:jaqueta com alamares e calças á boca de sino confeccionadas de uma lã grossa amarelada denominada serrobeco. Camisa riscada com peitilho. Bota de cabedal. Na cabeça um barrete preto com a ponta virada para trás. As calças eram presas com uma cinta preta, caindo uma ponta para cada lado do corpo.
Ela:blusa de chita e saia de estremanha, esta protegida pou um avental de chita, meia de cordão cor de vinho ou acastanhada. Sapato de cabedal. Lenço chinês e sobre os ombros uma saia que lhes protegia as costas do frio e do calor.

Obs: o lenço era bem justo á cabela e os punhos da camisa ficavam curtos.
O lenço junto á cabeça justifica-se pelo facto do cabelo andar protegido e não ser necessário lavar o mesmo, relativamente á camisa os punhos eram curtos, primeiro porque as camisas de chita, nas casas mais pobres tinham de passar por todas as irmãs e assim com os punhos recuados, a trabalhar não se sujavam tanto, tal como o avental, impedia que a saia batesse no chão.

cantigas usadas no bailaricos


Cantigas usada nos bailaricos:
Não era necessário ser um bailarico, bastava haver um instrumento, um assobio, uma flauta, um pífaro (muito usado pelos pastores), a bilha, um reco ou 2 pinhas, ferrinhos, acordeão ou concertinas, qualquer um destes instrumentos era suficiente para se iniciar um bailarico, a população vivia para o trabalho e estes eram os poucos momentos ludicos que tinham.
Os rapazes procuravam namoradas nestes bailaricos ou modas arranjadas, contudo as raparigas ou estavam acompanhadas pelas mães ou pelos irmãos mais novos

As letras dessa músicas também caracterizam as gentes desta terra:
 Por exemplo o “vamos seguindo ao Norte” era uma das músicas cantadas que reflecte bem a necessidade de trabalhar, nunca estar parado mas elogiando o corpo da dama que ele queria:

Vamos seguindo ao norte
Caminhos da nossa aldeia
Mostrai as nossas rendinhas
Mai-la a nossa fina meia

Mostrai o vosso calção
O vosso pé delicado
Esse teu corpo bem feito
Já cá era desejado

Também o nosso calção
E o nosso pé delicado
Os nossos corpos bem feitos
Os homens são o diabo

Outra das modas que refere o trabalho no terreiro e a tentativa da conquista de uma mulher atravez dos elogios, dizendo que ela é trabalhadora é o “andas abaixo e acima”:

Andas a baixo e acima
Como o retrós na balança
Enquanto minha não fores
 Meu coração não descansa

Vem tu cá ó meu benzinho
Que andas nos lábios de alguém
Vem tu cá para os meus braços
Que eu te quero tanto bem

Que eu te quero tanto bem
Como a mãe que te criou
Acredita que é verdade
Que eu de mentiras não sou

Inda agora reparei
Quem andava no terreiro
Era o cravo e mai-la rosa
Era o ramalhete inteiro

 Apresento a valsarota, mais uma vez, uma forma de cortejar a mulher e com referência à apanha da azeitona.

Quando eu vinha d’azeitona
Encontei, trei, trei
Encontrei o meu amor;
Ainda m’aqui apareces
Ó dia, á, á
Ó diabo tentador

Eu passei á tua porta
‘stavas tu, tu, tu
‘stavas tu a nomorar;
Eu passei não disse nada
Não te quiz, quiz, quiz
Não te quiz mesmo falar

Nem a rosa da roseira
Nem outra, tra, tra
Nem a outra qualquer flor;
Nem mesmo a primavera
Valem mais, mais, mais
Valem mais que o meu amor.

O coração da mulher
Sendo só, só, só
Sendo só, vale por dois;
Diz que sim quando ela quer
Diz que não, não, não
Diz que não logo depois.

O cuco era um animal importante para o cultivo, se se ouvisse o cuco cantar era sinal que as sementeiras iam render, se ao invés não se ouvisse o cuco cantar ai era sinal que o ano de colheita não iria ser produtivo

Ai cuco meu bem ai cuco
Ai cuco meu bem ai lá
Ou o cuco já morreu
Ou ele não quer vir p’ra cá

Esta noite canta o cuco
Na rabiça do arado,
Estas meninas de agora
Trazem o fogo no rabo

Já ouvi cantar o cuco
Na ramada de um pinheiro
Estes rapazes dágora
Nenhum quer ficar solteiro

Ai canta ó cuco canta
Já chegou o mês de Abril
Estas meninas de agora
Namoricam mais de mil

Ai cuco meu bem ai cuco
Ai cuco meu bem meu bem
Quem quiser casar c’a filha
Faça carinhos à mãe

Ai cuco meu bem ai cuco
Ai cuco meu bem ai ai
Quem quizer casar c’a filha
Dê cigarritos ao pai.

A literatura oral e as cantigas.


A Literatura Oral e as cantigas

Lenga-lengas:
Hoje é Domingo
Toca o sino.
O sino é dóiro
Pica no toiro.
O toiro é rico,
Pica no burrico.
O burrico é valente
Pica em toda a gente.


Para andar de baloiço:
Tamborilão,
Cabeça de cão,
Orelha de gato,
Não tem coração.
Tamborilão,
Eles lá vão...

Para embalar o bebé:
vai-te embora,
Ó papão
Para cima do telhado.
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado.

A alimentação


A alimentação:
Não me vou alongar falando da história da alimentação, apesar de ser uma excelente forma de a iniciar, contudo teria de me alongar demasiado e a minha intenção é deixar apenas o gostinho do assunto.
Em Fátima aquando da época tratada usava-se essencialmente a castanha e a carte, posteriormente substitudas pelo pão; o leite pelo vinho; e ainda o azeite, completando assim a triologia da alimentação mediterrânica. O pão e o vinho eram o alimento do corpo, relacionando com  o cristianismo, simbolizavam o corpo e sangue de cristo e o azeite passa a iluminar o Sanctum Sanctorum dia e noite.
Nesta zona as refeições continham azeitonas, azeite, pão, queijo, toucinho, chouriço, mas por ser uma localidade tão pobre a grande maioria das refeições eram constituidas por sopas acompanhadas de pão ou broa.
As sopas continham carnes de porco da salgadeira (um osso, toucinho ou um bocado de um enchido para dar cor e sabor) ou vegetais, legumes da terra, com água e azeite, ficavam estas sopas tão espeças que muitas vezes eram comidas com garfo, contudo, a refeição poderia ser completa por pão com queijo de cabra ou ovelha, ovos (produzidos em quase todas as casas) ou azeitonas. Muito raras vezes o acompanhamento poderia ser feito com petingas ou toucinho entremeado grelhado.

Exemplos de comidas daquela época:
Palhada: puré de batata misturado com alface cortada em juliana temperado com azeite e vinagre.

Papas de sarrabulho:com as sobras das sopas de legumes, adiciona-se farinha de milho e azeite, aqueciam ao lume, cozendo.

Versas: as versas era o nome dado a uma planta comestivel como a papoila e a serralha. Este prato é feito com versas cozidas com chouriço, feijão e batata aos pedaços regado com azeite.

Chicharos: demolhavam-se de um dia para o outro, normalmente com a cinza. Cozidos, eram temperados no prato com azeite e cebola. Recomendavam na altura que fossem os chicharos comidos às escuras para evitar o eventual enojo à vista dos carochos mortos (insectos pequenos que comiam o centro do chicharo, quando comidos, esses insectos, não tinham qualquer efeito sobre a pessoa que o comeu, diziam as gente “tudo filho do mesmo”). Era acompanhado com bacalhau assado, há quem posesse broa no fundo do prato antes de colocar os chicharos



Sopas de cavalo cansado: sopas de pão embebidas em vinho, adoçadas com açucar. Eram comidas por adultos e crianças, tinha-se como certo que o açucar cortava o álcool.

Mexudas: o mesmo que papas de sarabulho, mas feitas só à base de farinha de milho, podiam comer-se salgadas e acompanhadas com petingas ou doces, adoçadas com açucar, esta era a opção favorita das crianças.

Sopas de verde: numa canoa de barro, coloca-se visceras de carneiro, cabra ou vitela a marinar, no vinho com cebola, alho, pimentão doce e louro, durante uma hora. Coze-se o sangue dos animais já referido, em panela de ferro, só com água e sal, depois de cozido corta-se em pequenos pedaços e coloca-se num tacho de barro e junta-se o preparado da carne e continua a guisar em lume brando, junta-se água e deixa-se ferver. Numa terrina coloca-se pão caseiro em fatias, esse que deveria ter 1 ou 2 dias, coloca-se o guisado e a carne e depois ramos de ortelã.
O pão deve ensopar o molho do guisado, este prato era comido em dias festivos, como casamentos.


Magias, rituias e mezinhas


Magias, rituais e mezinhas:
As doenças e males do corpo eram tratados com o que a terra oferecia, como o Alecrim, poejo, flor de sabugueiro, hipericão, fel-de-terra, lúcia lima, flor de pinheiro, rabo de gato, pé de cerejeira são exemplos de algumas plantas usadas para esse fim, eram secas e guardadas, utilizadas quando necessários, eram utilizadas para dores de cabeça, de olhos, gripes ou infecções.
Caso alguém se magoasse no pé, um entorce que resultasse num inchaço, era normal ferver água numa panela de ferro, colocar num alguidar esmaltado, enrolavam o pé em trapos e mergulhava-se nessa água a quente, o ideal era aguentar o máximo de tempo possível.
Para a enterite( uma inflamação na mucosa dos intestinos), colocava-se no peito da criança (eram as mais vulneráveis a esta meleita, daquele tempo), um pombo jovem, um borracho, aberto pelo peito, ainda vivo, sobre o peito do paciente, atando com ligaduras, este emplastro mantinha-se por vários dias, apodrecendo sobre a pele, deixando um cheiro nauseabundo.
Outro modo de curar um enfermo é com um ferro quente sobre a zona afectada.

Contra o mau olhado, aquecia-se nas brasas uma telha, sobre essa telha deitava-se arruda, folhas de oliveira, trovisco, sal, aparas de corno de carneiro branco, deixando o fumo envolver a casa e a vítima.

Quando se perdia algo, importante ou não, recorriam ao “Responso a Santo António”

Vereis fugir o demónio
Às atentações infernais.
Pela sua protecção
Foge a peste,
O erro
E a morte.
O fraco torna-se forte,
Torna-se o enfermo são,
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
Nos auges do furacão.
Seja o mar embravecido,
Todos os males me deram,
Me deram e se retiram.
Perguntem aos paduanos
E àqueles que o viram.

(Bem-aventurado Santo António
Que se digne rogar ao Senhor
Pela graça ou objecto perdido)

A sarração da velha era feita numa data expecífica, tinha lugar na quarta-feira a meio do tempo da quaresma, um grupo de rapazes solteiros percorriam o lugar, de madrugada, parando estratégicamente junto das portas mas moçascasadoiras, batiam aí tachos e panelas , latas e chocalhados, como se o anúncio da sua chegada se tratasse. Para uma melhor projecção da voz, têm a ajuda de um grande funil e diziam:

“Boa noite menina Joana
Já quer namorar mas ainda
Mija na cama”

“Boa noite menina Aurora,
Esta terra era mai linda
Se o seu namorado se
Fosse  embora”
               
“Boa noite menina Luciana
Não vem á janela?
está  gorda,
 não se levanta da cama”

“Boa noite menina Glória,
Que flor mai linda
Dê-me um beijo
Vai saber a vitória”

As quadras ou simples rimas, falavam da sorte, azar, da família ou dos amores. O vinho e a aguardente aquecia a noite e dava mote à animação, muitos destes poetas de ocasião eram analfabetos

A habitação no seu interior

Tear (in: Casa Museu de Aljustrel) 


Dobadoira(in: Casa Museu de Aljustrel)



Cantaria (in: Casa Museu de Aljustrel)


Talhas de azeite (in: Casa Museu de Aljustrel) 


Dois tipos de fornos existentes



A Habitação


A habitação:

Fátima tinha algumas particulariedades a nível de habitação, eram feitas pelos proprietários, tinham reboco de vários centímetros de espessura, feito de saibro amassado com cal, paredes sem qualquer critério, um conjunto de pedras soltas, amontoadas, de faces toscas, não desbastadas, sem calços, paredes tortas e curvolíneas, desapromadas e encovadas, onde a função do grosso reboco caliço era tentar alisar as curvas, disfarças os erros de construção e tapar buracos deixados pelas pedras soltas. Estas habitações eram feitas deste modo pois o reboco usado, era dispendioso, e teriam de poupar no restante material aproveitando o que a terra tinha.
Era caiada a casa, muitas vezes uma barra inferior era pintada, de amarelo-ocre, com a função de proteger a alvura da parede dos salpicos da chuva ou pelas goteiras.
O telhado era feito com recurso a lajes de pedra preparada para o efeito.
Outra das caracteristícas era o volume da chaminé, paralelepipédica, em pedra, que se levantava desde o nível da lareira, assente directamente sobre duas traves de azinho, em ângulo recto e suportado por um prumo também dessa madeira.
A cozinha era o centro da casa, tinha uma porta que ligava à parte de fora da casa, principalmente á casa de fora, quase todas as casa a tinham, era o local propício para os grupos se juntarem, cantando e dançando, normalmente, fazia-se o leilão de uma flor ou até outro bem e esse dinheiro revertia para o dono da casa, para o caso de haver estragos, juntava-se uma concertina, dois ou três pares, um rialeijo, duas pinhas e assim começava um bailarico.
Era também usoal as casas terem uma cisterna e um forno. 

A População


A população:

A população vivia praticamente em exclusivo da agricultura, trabalhavam periodicamente nomeadamente na sua própria terra, no seu próprio cultivo. Por consequência das terras pouco cultivaveis, tinham a opção de trabalhar à jornas, nas alturas cíclicas das sementeiras, ceifas, debulhas ou apanha da azeitona.
Os assalariados eram pagos á jorna(ao dia), normalmente com vinho. O trabalho era remunerado, ao fim do dia ou ao fim do serviço, contudo poderia acontecer o trabalhador, andar a trabalhar a mercer, por exemplo: um trabalhador precisava de lenha e não a tinha, ou trigo ou qualquer outro género que a terra podesse produzir, então neste caso o patrão, paga nesse género. Também se usava a troca de trabalho, o indivíduo A ajudava na apanha da azeitona do indivíduo B e o indivíduo B deveria ajudar o indivíduo A noutra cultura, por exemplo na ajuda nas sementeiras.
O sol ditava o horário de trabalho, quanto maiores os dias (verão), mais horas se trabalhava.
Mais uma vez me devo debruçar sobre o trabalho jornaleiro, os trabalhos sazonais permitem a migração. Azeitona, ou vindimas, são o exemplo disso, e o destino eram os campos agrícolas do Ribatejo e Oeste.
Os contratos eram apalavrados, e feitos nas tabernas, não tabernas como as conhecemos hoje em dia, nos finais do Século XIX ínicios do século XX, as tabernas, eram um género de mercearia, onde se comercializava, todo o tipo de cereais, vinho, azeite, vendia-se ainda pão(o padeiro passava nas tabernas e deixava o pão).
Os homens passavam pela taberna de manhã, antes do trabalho e quando vinham do trabalho. Era zona de convívio masculino, as mulheres normalmente, ficavam à janela ou no adro da igreja com as crianças, dançavam e rifavam laranjas.
Nas tabernas daquele tempo, facilmente se encontravam homens a jogar à bisca de seis ou a cantar. “Os homens juntavam-se, cantavam, jogavam à quintilha, bebia quem jogava e quem não jogava, o taberneiro vendia um copo à janela, jogavam uma partida em pé, 3 de dentro e 3 de fora, os pés ficavam frios, depois havia porrada por causa da bebedeira”; “Na bisca de seis um manda o jogo e passavam sinais disfarçados, ao Domingo á tarde, para se distrairem, ião à procura de patrão, iam á missa à Giesteira, a Boleiros ou à Fátima à procura de jorna”; “Fumava-se cigarros feitos por nós, era o tabaco Duque, vinha em onsas e era guardado em lenços tabaqueiros”(Dizia o Senhor Francisco do Amoreira, em 1980, num resgate de informação feito pelo rancho folclórico da Casa do Povo de Fátima).
Por a terra ser tão pobre e de forma a complementar o rendimento familiar, havia famílias que optavam pela montagem de um tera no domicílio, num anexo junto da cozinha, quando esta era pequena. Teciam mantas ou tapetes de trapos ou até, com fio de lã, os mesmos objectos.
Existiam também, sapateiros, pedreiros ou carpinteiros, estes deslocavam-se a casa do cliente. O carpiteiro era polifacetado, podia montar uma porta ou uma janela, um telhado de uma casa, um soalho ou podia ainda construir pipas de vinho, um bom carpinteiro podia fazer mesmo um carro de bois ou uma carroça, as engrenagens para um moinho (mastro, entrosas, carretos, velas) ou a construçaõ de um tear de madeira.
Encontamos ainda serradores, ferradores, o barbeiro ou pessoas dedicadas ao fabrico de cal.

A Pastoricia


A pastorícia:

Fátima é sem dúvida uma zona onde a população se dedicava, quase na maioria, á pastorícia.
A agricultura não era suficiente para a subsistência das famílias, era necessário ter carne na salgadeira, mesmo que pouca, para enriquecer um pouco a alimentação. (“ a serra era coalhada de pastores e rebanhos(...) parecia uma nuvem que a cobria...”
Muitas das vezes eram as criançãs(dos 6 aos 12 anos) e os mais velhos que ficavam responsaveis por esta actividades,(“Só era considerado pastor quem guardasse mais vinte cabeças de gado. As crianças iam em conjunto e levavam rebanhos de dez ou quinze cabeças pequenos pastores, com pequenos rebalhos de ovelhas e cabras(na maioria), raras vezes com vacas e porcos. Contudo os pastores não “gostavam” muito de cabras porque: “cabras, apesar de darem mais leite que as ouvelhas, (...) são mais irrequietas e só não roem as estrelas porque lá não chegam”Relativamenete ao gado bovino era utilizado na sua maioria para força de trabalho, na agricultura.
As crianças saíam de manhã levavam uma pequena saca com a merenda e passavam o dia com os animais.
No verão como os “dias são maiores”, os pastores saim ainda de madrugada, e recolhiam o gado já á noitinha. O gado pernoitava nos currais, geralmente cobertos ou nos pátios ao ar livre

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Instrumentos agricolas

Lagar de vinho (in: Casa Museu de Aljustrel)



Charrua(in: Casa Museu de Aljustrel) 


Arado (in: Casa Museu de Aljustrel)



Carro do ferrador(in: Casa Museu de Aljustrel)



Carro de bois (in: Casa Museu de Aljustrel)  



A agricultura em Fátima nos finais do Século XIX, inícios do século XX


Devido às condições geomorfológicas da região, à pluviosidade mal distribuida ao longo do ano, o clima num casamento com as caracteristicas do solo, resultam numa adversa e pobre agricultura. Em Fátima apenas aparecem registo (nos finais do século XIX e ínicios do século XX) de uma agricultura de subsistência, onde predominava a oliveira, o trigo, a aveia, a cevada e o centeio.
Era escasso o número de terras ferteis, a maioria das terras são constituidas por afloramentos de pedra calcária, solta ou não e entremeada com alguma magra terra. Por ser necessária muita força de braços para agricultar estas terras aridas, cresce assim uma paisagem típica desta região, o regime de cerrados(pequenos minifúndios delimitados por parte de pedra solta e tosca, quase sempre ornamentados pelo marouço, amontoado de pedra, mais ou menos arrumado e fruto, também ele, da crivagem das terras).
As sementeiras de inverno, estavam limitadas ao trigo, à aveia, à cevada, algum centeio, ao tremoço, ao chicharo, ao grão de bico e à fava.
Na primaveira encontrava-se cultivo de batata e ervilha. A cultura do milho, da abóbora e do feijão ficam reservadas para as melhores terras de falgar.
Cultivava-se ainda nos quintais, reservado às horticolas como a alface, o nabo, o feijão-verde, os vários tipos de couve, o alho, a cebola...
Para finalizar esta temática enquadro as árvores de frutos, aquando da época tratada, tal como a cerejeira, a pereira, a macieira, a figueira, ameixieira, o pessegueiro, a oliveira , a nogueira e a figueira. E de todas estas só a oliveira poderia ter algum proveito económico, pois as restantes eram árvores de quintal, para consumo próprio. 

A flora

Rosa Albardeira   (jóia da Coroa)



Orqídea (chamada abelhia)


Crocus 


O narciso calcícola em flor

A água como um bem escasso

Amoreira. Fonte Grande.Mantem alguma água mesmo no pino do verão. Em 1º plano a pia para dessedentar os animaid e pormenor da escada que permitia o acesso ao seu interior á medida que o nível da água baixa nos estios.



Água –Ramila. Pequeno riacho que só corre enquanto duram as chuvas de inverno

Poço Velho. Esta lagoa, está situada num veio de barro amarelo, esta lagoa tem água o ano inteiro, usada para lavar a roupa e matar a cede ao gado.



Geografia de Fátima


Geografia de Fátima

Está aproximadamente a 300 metros acima do nível do mar, em pleno maciço calcário estremanho. Constituem um grande espaço de planaltos, vales e cabeços,ângulo cujo vértice aponta para Alcanena, um dos lados, a NE direcçiona Ourém, assumindo a forma de Serra d’Aire, o outro, prolongando-se para oeste em direcção a Rio Maior como Serra  dos Candeeiros. Fátima está localizada no planalto de S. Mamede, também apelidada de Plataforma de Fátima e entre a delimitação norte do Maciço, rico em relevo acidentado e cheio de afloramentos calcários, com algumas várzeas, pontualmente.
Relativamente á tipologia dos calcários posso considerar que na freguesia de Fátima, as formações da camada do Dogger que se manifestam como calcários batonianos a norte, e a sul camadas do lusitaniano, mais humildes.
A inflência da Serra d’Aire (677m), reflete-se prícipalmente no clima, contando de ventos predominantes de NO, as massas de ar oceânicas enbatem nesta barreira e sobem, arrefecendo  e originando alguma pricipitação, esta que atinge em média os 1400mm anuais, concentrada no inverno e primavera, já o verão tem valores quase nulos.
As chuvas de inverno “abastecem” as nascentes do Rio Lis, a oeste, a norte o Almonda e o Alviela a sul do maciço respectivamente, alimenta ainda a nascente do Lena, a oeste. Em contraponto e devido aos verões com pouca precipitação tornam-se áridos, mercê da contigência dos Solos Calcários serem muito permeáveis. Por isso mesmo as chuvas não duram muito tempo nos solos.
Posso ainda apontar o aparecimento de argila vermelha, fruto da descalcificação do calcário.
Por desiquilibrio tectónico esta terra afunda e o vão que é deixado livre manifesta-se em forma de algar, muitos deles desembocam em grandes  grutas, com estalagmites e estalagtites formadas pela água saturada de carbono de cálcio.
Outra caracteristica desta região e ainda relativamente às formações cársicas, posso apontar a existência de formas eroditas, de origem pluvial, eólica e tectónica: Polje, uvalas, dolinas.
Devido ás formações das Serras, a de Aire e Candeeiros, a paisagem da área de estudo é como já referi, árida, um solo rochoso e calcário onde só a azinheira, o carvalho português, o medronheiro, o sanguinho ou zanguinho, a figueira e a oliveira, conseguem resistir ás condições que estas caracteristicas oferecem, falemos pois do clima e do território.
Fátima era, tal como hoje, apresentada numa área com algumas ruralidades como é o caso de localidades como: Casa Velha; Aljustrel; Eira da Pedra, Moimento; Amoreira; Boleiros; Ramila; Gaiola; Pedreneira; Moita, onde se pode encontrar com facilidade cisternas, moinhos de vento e outros elementos arquitectónicos  feitos de pedra e cal.
Pode-se ainda hoje encontrar várias eiras, grutas, locas, como por exemplo a loca do Cabeço.
Relativamente á flora da zona podemos encontrar a rosa albardeira (ex-libris desta zona), o Narciso calcícola, a Orquidea e o Crocus.
Na fauna, podemos destacar os morcegos (morcegos-de-peluche – miniopterus schereibersii), morcego de ferradura, raposas, gato bravo, doninhas, ginetos, relativamente aos répteis encontramos o sardão ou lagarto verde, a cobra de escada e a cobra rateira, já os anfíbios encontramos a salamandra de pintas amarelas e por fim, nas aves de rapina salienta-se a existência da Águia de asa redonda.







Enquadramento geográfico de Fátima.







Actualmente Fátima é a maior freguesia do Concelho de Ourém, com 71,29 Km² de área, e com 10 432 habitantes (censos 2011). Faz parte do Distrito de Santarém, na Região Centro e sub-região do Médio Tejo.