domingo, 24 de junho de 2012

Magias, rituias e mezinhas


Magias, rituais e mezinhas:
As doenças e males do corpo eram tratados com o que a terra oferecia, como o Alecrim, poejo, flor de sabugueiro, hipericão, fel-de-terra, lúcia lima, flor de pinheiro, rabo de gato, pé de cerejeira são exemplos de algumas plantas usadas para esse fim, eram secas e guardadas, utilizadas quando necessários, eram utilizadas para dores de cabeça, de olhos, gripes ou infecções.
Caso alguém se magoasse no pé, um entorce que resultasse num inchaço, era normal ferver água numa panela de ferro, colocar num alguidar esmaltado, enrolavam o pé em trapos e mergulhava-se nessa água a quente, o ideal era aguentar o máximo de tempo possível.
Para a enterite( uma inflamação na mucosa dos intestinos), colocava-se no peito da criança (eram as mais vulneráveis a esta meleita, daquele tempo), um pombo jovem, um borracho, aberto pelo peito, ainda vivo, sobre o peito do paciente, atando com ligaduras, este emplastro mantinha-se por vários dias, apodrecendo sobre a pele, deixando um cheiro nauseabundo.
Outro modo de curar um enfermo é com um ferro quente sobre a zona afectada.

Contra o mau olhado, aquecia-se nas brasas uma telha, sobre essa telha deitava-se arruda, folhas de oliveira, trovisco, sal, aparas de corno de carneiro branco, deixando o fumo envolver a casa e a vítima.

Quando se perdia algo, importante ou não, recorriam ao “Responso a Santo António”

Vereis fugir o demónio
Às atentações infernais.
Pela sua protecção
Foge a peste,
O erro
E a morte.
O fraco torna-se forte,
Torna-se o enfermo são,
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
Nos auges do furacão.
Seja o mar embravecido,
Todos os males me deram,
Me deram e se retiram.
Perguntem aos paduanos
E àqueles que o viram.

(Bem-aventurado Santo António
Que se digne rogar ao Senhor
Pela graça ou objecto perdido)

A sarração da velha era feita numa data expecífica, tinha lugar na quarta-feira a meio do tempo da quaresma, um grupo de rapazes solteiros percorriam o lugar, de madrugada, parando estratégicamente junto das portas mas moçascasadoiras, batiam aí tachos e panelas , latas e chocalhados, como se o anúncio da sua chegada se tratasse. Para uma melhor projecção da voz, têm a ajuda de um grande funil e diziam:

“Boa noite menina Joana
Já quer namorar mas ainda
Mija na cama”

“Boa noite menina Aurora,
Esta terra era mai linda
Se o seu namorado se
Fosse  embora”
               
“Boa noite menina Luciana
Não vem á janela?
está  gorda,
 não se levanta da cama”

“Boa noite menina Glória,
Que flor mai linda
Dê-me um beijo
Vai saber a vitória”

As quadras ou simples rimas, falavam da sorte, azar, da família ou dos amores. O vinho e a aguardente aquecia a noite e dava mote à animação, muitos destes poetas de ocasião eram analfabetos

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