Magias, rituais e mezinhas:
As doenças e males do corpo eram tratados com o que
a terra oferecia, como o Alecrim, poejo, flor de sabugueiro, hipericão, fel-de-terra,
lúcia lima, flor de pinheiro, rabo de gato, pé de cerejeira são exemplos de
algumas plantas usadas para esse fim, eram secas e guardadas, utilizadas quando
necessários, eram utilizadas para dores de cabeça, de olhos, gripes ou
infecções.
Caso alguém se magoasse no pé, um entorce que
resultasse num inchaço, era normal ferver água numa panela de ferro, colocar
num alguidar esmaltado, enrolavam o pé em trapos e mergulhava-se nessa água a
quente, o ideal era aguentar o máximo de tempo possível.
Para a enterite( uma inflamação na mucosa dos
intestinos), colocava-se no peito da criança (eram as mais vulneráveis a esta
meleita, daquele tempo), um pombo jovem, um borracho, aberto pelo peito, ainda
vivo, sobre o peito do paciente, atando com ligaduras, este emplastro
mantinha-se por vários dias, apodrecendo sobre a pele, deixando um cheiro
nauseabundo.
Outro modo de curar um enfermo é com um ferro
quente sobre a zona afectada.
Contra o mau olhado, aquecia-se nas brasas uma
telha, sobre essa telha deitava-se arruda, folhas de oliveira, trovisco, sal,
aparas de corno de carneiro branco, deixando o fumo envolver a casa e a vítima.
Quando se perdia algo, importante ou não, recorriam
ao “Responso a Santo António”
Vereis fugir
o demónio
Às atentações
infernais.
Pela sua
protecção
Foge a peste,
O erro
E a morte.
O fraco
torna-se forte,
Torna-se o
enfermo são,
Recupera-se o
perdido,
Rompe-se a
dura prisão,
Nos auges do
furacão.
Seja o mar
embravecido,
Todos os
males me deram,
Me deram e se
retiram.
Perguntem aos
paduanos
E àqueles que
o viram.
(Bem-aventurado
Santo António
Que se digne
rogar ao Senhor
Pela graça ou
objecto perdido)
A sarração da velha era feita numa data expecífica,
tinha lugar na quarta-feira a meio do tempo da quaresma, um grupo de rapazes
solteiros percorriam o lugar, de madrugada, parando estratégicamente junto das
portas mas moçascasadoiras, batiam aí tachos e panelas , latas e chocalhados,
como se o anúncio da sua chegada se tratasse. Para uma melhor projecção da voz,
têm a ajuda de um grande funil e diziam:
“Boa noite
menina Joana
Já quer
namorar mas ainda
Mija na cama”
“Boa noite
menina Aurora,
Esta terra era
mai linda
Se o seu
namorado se
Fosse embora”
“Boa noite
menina Luciana
Não vem á
janela?
está gorda,
não se levanta da cama”
“Boa noite
menina Glória,
Que flor mai
linda
Dê-me um
beijo
Vai saber a
vitória”
As quadras ou simples rimas, falavam da sorte, azar, da família ou dos
amores. O vinho e a aguardente aquecia a noite e dava mote à animação, muitos
destes poetas de ocasião eram analfabetos
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