A
alimentação:
Não me vou alongar falando da história da alimentação, apesar de ser
uma excelente forma de a iniciar, contudo teria de me alongar demasiado e a
minha intenção é deixar apenas o gostinho do assunto.
Em Fátima aquando da época tratada usava-se essencialmente a castanha e
a carte, posteriormente substitudas pelo pão; o leite pelo vinho; e ainda o
azeite, completando assim a triologia da alimentação mediterrânica. O pão e o
vinho eram o alimento do corpo, relacionando com o cristianismo, simbolizavam o corpo e sangue
de cristo e o azeite passa a iluminar o Sanctum
Sanctorum dia e noite.
Nesta zona as refeições continham azeitonas, azeite, pão, queijo,
toucinho, chouriço, mas por ser uma localidade tão pobre a grande maioria das
refeições eram constituidas por sopas acompanhadas de pão ou broa.
As sopas continham carnes de porco da salgadeira (um osso, toucinho ou
um bocado de um enchido para dar cor e sabor) ou vegetais, legumes da terra,
com água e azeite, ficavam estas sopas tão espeças que muitas vezes eram
comidas com garfo, contudo, a refeição poderia ser completa por pão com queijo
de cabra ou ovelha, ovos (produzidos em quase todas as casas) ou azeitonas.
Muito raras vezes o acompanhamento poderia ser feito com petingas ou toucinho
entremeado grelhado.
Exemplos de comidas daquela época:
Palhada: puré de batata misturado com alface cortada em juliana
temperado com azeite e vinagre.
Papas de sarrabulho:com as sobras das sopas de legumes,
adiciona-se farinha de milho e azeite, aqueciam ao lume, cozendo.
Versas: as versas era o nome dado a uma planta comestivel como a
papoila e a serralha. Este prato é feito com versas cozidas com chouriço,
feijão e batata aos pedaços regado com azeite.
Chicharos: demolhavam-se de um dia para o outro, normalmente com
a cinza. Cozidos, eram temperados no prato com azeite e cebola. Recomendavam na
altura que fossem os chicharos comidos às escuras para evitar o eventual enojo
à vista dos carochos mortos (insectos pequenos que comiam o centro do chicharo,
quando comidos, esses insectos, não tinham qualquer efeito sobre a pessoa que o
comeu, diziam as gente “tudo filho do mesmo”). Era acompanhado com bacalhau
assado, há quem posesse broa no fundo do prato antes de colocar os chicharos
Sopas de cavalo cansado: sopas de pão embebidas em vinho,
adoçadas com açucar. Eram comidas por adultos e crianças, tinha-se como certo
que o açucar cortava o álcool.
Mexudas: o mesmo que papas de sarabulho, mas feitas só à base de
farinha de milho, podiam comer-se salgadas e acompanhadas com petingas ou
doces, adoçadas com açucar, esta era a opção favorita das crianças.
Sopas de verde: numa canoa de barro, coloca-se visceras de
carneiro, cabra ou vitela a marinar, no vinho com cebola, alho, pimentão doce e
louro, durante uma hora. Coze-se o sangue dos animais já referido, em panela de
ferro, só com água e sal, depois de cozido corta-se em pequenos pedaços e
coloca-se num tacho de barro e junta-se o preparado da carne e continua a
guisar em lume brando, junta-se água e deixa-se ferver. Numa terrina coloca-se
pão caseiro em fatias, esse que deveria ter 1 ou 2 dias, coloca-se o guisado e
a carne e depois ramos de ortelã.
O pão deve ensopar o molho do guisado, este prato era comido em dias
festivos, como casamentos.

Sem comentários:
Enviar um comentário